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MICHELANGELO, o maior gênio falsificador da História da Arte

por Arthur Blade

Milhares de pessoas passeiam pelo Parque do Ibirapuera em São Paulo todos os dias, milhares vão fazer exercícios, levar seus cachorros, levar seus filhos, e muitas vezes nem notam a escultura da foto abaixo. Trata-se de uma cópia em bronze do grupo escultórico Laocoonte que está no Museu Pio-Clementino, no Vaticano, e que foi feita pelo Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo. A estátua está lá desde 1954, quando o parque foi inaugurado.

Pois bem, pessoas passeiam pelo Ibirapuera, muitas até tiram selfies com o Laocoonte se dilacerando de dor, mas a imensa maioria nem faz ideia da grande aventura épica que está por trás desta escultura.

No princípio.

Caio Plínio Segundo (23 – 79), conhecido também como Plínio, o Velho, foi um naturalista romano. Ele é conhecido por ter escrito um grande tratado em 37 volumes chamado: História Natural. Nesta obra ele revela um elevadíssimo grau enciclopédico de conhecimento tratando das mais variadas ciências e artes até então em desenvolvimento. Em uma de suas passagens, no volume 36, ele relata:

“…É o caso do grupo Laocoonte, por exemplo, no palácio do imperador Tito, obra que pode ser considerada preferível a qualquer outra produção da arte da pintura ou da estatuária [de bronze]. É esculpido a partir de um único bloco, tanto a figura principal como as crianças, e as serpentes com suas maravilhosas dobras. Este grupo foi feito em conjunto por três artistas dos mais eminentes, Agesandro, Polidoro e Atenodoro, nativos de Rodes.”

Esta referência era tudo que os estudiosos e artistas da época de Michelangelo dispunham acerca desta estátua. Plínio não relata a época em que foi feita nem tampouco quem a encomendou. Por cerca de 1400 anos o nome Laocoonte ,vinculado ao grupo escultórico, simplesmente desapareceu da história, até que…

1506 – o ano da descoberta de um ícone

No dia 14 de janeiro de 1506, o romano Felice de Fredi, proprietário de um vinhedo próximo das antigas Termas de Tito, ao escavar suas terras para plantio, encontra uma estátua. Nessa época, o auge do Renascimento, a escultura clássica era enormementevalorizada, Felice imediatamente manda chamar Giuliano de Sangallo, arquiteto do Papa Júlio II e principal autoridade em se tratando de antiguidades e sua autenticidade.

É nesse momento que ocorre uma das grandes coincidências da história, quando Giuliano é avisado, em pleno almoço, adivinhem quem estava em sua companhia? Sim, Michelangelo era seu convidado para o almoço daquele dia. Eles então partem em direção ao local da descoberta. Junto deles estava o filho de 11 anos de Giuliano, Francesco da Sangallo, que se tornaria escultor e, sessenta anos depois, iria narrar o evento:

“… Então ele partiu imediatamente. Visto que Michelangelo Buonarroti sempre podia ser encontrado em nossa casa, pois fora contratado para o túmulo do Papa Júlio II, meu pai quis que ele também fosse. Juntei-me ao meu pai e lá fomos nós. Eu desci até onde as estátuas estavam quando imediatamente meu pai disse:“Esse é o Laocoonte, que Plínio menciona.”

No terreno que foi então largamente escavado, encontraram várias partes do conjunto escultórico, as quais podem ser vistas na foto abaixo:

O Papa Júlio II, um classicista apaixonado.

O valor de uma autêntica antiguidade era altíssimo. O Papa Júlio II, grande admirador da cultura clássica, imediatamente a comprou pela quantia de 4.140 ducados, Felice de Fredi ainda recebeu uma pensão vitalícia de 600 ducados por ano e, ao morrer, em sua lápide é mencionada sua descoberta.

Uma estátua enigmática como uma esfinge.

Como se pode ver, algumas partes estavam faltando. O próprio braço direito de Laocoonte estava ausente, além da mão de um dos filhos e do braço direito do outro, bem como algumas partes das cobras.

Na época, os artistas e demais autoridades debateram sobre como seriam as partes faltantes para se fazer uma reconstituição. Michelangelo sugeriu que o braço direito de Laocoonte estaria virado para trás. Já a imensa maioria, entre eles o próprio Rafael, acreditava que o braço estaria esticado em sinal de grande heroísmo. Em 1510, Bramante, arquiteto do Papa, organiza uma votação entre os principais artistas para decidir se o braço direito está estendido ou inclinado para trás. O primeiro vence e uma cópia é assim feita restabelecendo-se aquelas que seriam as partes faltantes. A gravuraabaixo, de Marco Dente, de cerca de 1515-27, reflete o conjunto sem os acréscimos.

Já nesta outra gravura de Nicolas Béatrizet, de cerca de 1535- 65, constam os acréscimos que se acreditavam existir na obra original, ou que, pelo menos, se aproximavam daquilo que seria a obra primeira:

O impossível acontece

Em 1906 acontece algo que seria absolutamente impossível. Algo que qualquer um, com o mínimo senso de probabilidade, diria ser mais difícil do que ganhar na loteria. Pois bem, em 1906, o arqueólogo e negociante de arte, Ludwig Pollack, entra para a História da Arte como aquele que encontrou o braço direito de Laocoonte. Ele achou o fragmento de braço no terreno de uma construtora perto de onde foram encontradas as partes principais da obra.

Não há detalhes sobre como ele achou esta parte da estátua, o fato que se agrega às improbabilidades é Pollack ter percebido que poderia ser o braço de Laocoonte, numa época em que este assunto estava mais que encerrado. Ou seja, 400 anos após a descoberta do grupo principal, o braço é achado. Mas precisava de análise, ele então doou ao Vaticano para que fosse restabelecido o estudo.

Quatrocentos anos se passaram. 1506 – 1906

Nesses 400 anos, a escultura já havia passado por uma verdadeira saga, já sofrera algumas restaurações, por conta das invasões napoleônicas foi levada para o Louvre como espólio do saque, depois, com a perda da Batalha de Waterloo, voltou para a Itália e, no começo do Séc. XX, estava apresentava-se restaurada e com as partes faltantes acrescentadas à obra original. Então não bastava apenas colocar o braço de Pollack ao lado da escultura original, para ver se era mesmo o braço direito de Laocoonte.

E lá se vão mais 50 anos

Foi somente em 1957 que a direção dos Museus do Vaticano decidiu agregar o braço ao tronco de Laocoonte. Na próxima foto pode-se ver que se encaixam perfeitamente e que a conservação do braço sofreu a ação dos 400 anos que o separaram da obra a que pertencia.

E é por isso que a réplica do Parque do Ibirapuera está com o braço estendido, porque foi feita antes de 1957. E foi somente na década de 1980 que as partes adicionadas foram totalmente removidas e assim a estátua ficou como está agora, só com as partes originais:

A grande dúvida

Nas entrelinhas das biografias de Michelangelo, há quem sustente que foi ele que esculpiu o conjunto escultórico Laocoonte, e que, com seu amigo, Felice de Fredi, combinou de o enterrar, fazer passar a obra por antiguidade, e assim, obter uma grande soma com a venda ao Papa Júlio II que, com certeza, a compraria.

As coincidências não são poucas nem pequenas. Michelangelo estava almoçando com Giuliano da Sangallo quando a notícia da descoberta da escultura apareceu e ele pode ser um dos primeiros a chegar ao local. Depois, quando todos os maiores artistas da época achavam que o braço não encontrado estaria estendido, Michelangelo se levanta e diz que estaria virado para trás, e 450 anos depois percebemos que estava certíssimo.

O Cupido Adormecido

Um outro fato corrobora essa hipótese. Há uma pequena estátua de Cupido Adormecido, que hoje está perdida, esculpida por Michelangelo em 1496, só que ele a envelheceu para passar por antiguidade e a vendeu a um traficante de arte que, por sua vez, vendeu ao Cardeal Riario de San Giorgio. Quando a fraude foi descoberta, o Cardeal não só quis continuar com a estátua como convidou Michelangelo para ir a Roma, onde teria suas primeiras encomendas daquelas que seriam grandes obras-primas da humanidade. Ele estava com 21 anos e essa pequena falsificação, esse fazer uma estátua se passar por antiguidade utilizando-se de artifícios como enterrar para dar aparência de envelhecida, tratar com pequenos arranhões, produzir pequenas partes quebradas, pode ter feito toda a diferença para ele se projetar no universo artístico da época.

A minha própria versão

Laocoonte por Arthur Blade

Michelangelo, por volta de 1506, já era considerado “il divino” por esculturas como Baco, Pietá e David, sua fama já era notória, nãoprecisaria de dinheiro para se manter, nem muito menos, se tivesseesculpido ele mesmo o grupo Laocoonte, deixaria de mostrar seutalento falando a todos que foi o autor.

Então o que pode ter acontecido?

E é aqui que entra minha própria versão da história.

Michelangelo conhecia a descrição do grupo escultórico Laocoontefeita por Plínio, com certeza teria ficado com isso em mente e logo começaria a conceber como teria sido esta estátua. Michelangelo então, em segredo, começa a esculpir aquela que seria sua primeira composição com três personagens, um verdadeiro virtuosismo em um único bloco de mármore.

No entanto, algo inevitável acontece, quando a obra está terminada, quando está nos pormenores de polir as partes da estátua, uma minúscula fissura no mármore e… e uma parte da obra acidentalmente se quebra. Isso o destrói completamente, jamais ficaria com uma obra que, mesmo bem remendada, não o satisfaria pessoalmente. Ele também sabia que seus inimigos iriam se valer desse detalhe para o caluniar. Além disso, já não seria mais uma estátua concebida em um único bloco de mármore como Plínio tanto enfatizou. Tudo estava acabado.

Ele então elabora um plano audacioso com seu amigo Felice de Fredi, pede para ele quebrar a estátua em algumas partes (Michelangelo jamais conseguiria quebrar ele mesmo uma obra-prima da humanidade), depois desaparecem com algumas pequenas partes, fazem alguns arranhões, envelhecem da melhor maneira possível e enterram no vinhedo de Felice. A continuação da história já sabemos.

A verdade ainda está por ser desenterrada.

A posição dos críticos ainda é controversa, alguns ainda creem que Laocoonte é a estátua grega original com datação incerta; outros dizem ser uma cópia de uma estátua grega em bronze do séc.II a.C. que não chegou até nós; há também quem diga que não se trata de um único bloco de mármore, enfim, a verdade permanecerá pra sempre enterrada.

Michelangelo, o maior gênio falsificador da História da Arte

A minha versão é absolutamente plausível, mármore é um material que se quebra facilmente, Michelangelo, com seu temperamento forte, pode muito bem ter seguido os passos que mencionei.

E se isso realmente aconteceu, Michelangelo nos presenteou com obras-primas geniais como a Pietá, David, o teto da Capela Sistina, o Afresco do Juízo Final, o Moisés e… aquela que é a obraprima máxima da estatuária grega, o conjunto escultórico do Laocoonte. E do alto de toda sua genialidade, Michelangelo sorri por ter convencido a todos que Laocoonte é uma estátua grega, ele se igualou até mesmo aos gregos.

Michelangelo, o maior gênio falsificador da História da Arte.

PorArthur Blade

A palavra pintada, o culturati e a dança Apache

Eu já fui budista, já devaneei para os lados do ateísmo, mas me fixei na região católica. Fui asceta por 2 anos, não comia carne, não bebia, não fumava e sequer ouvia música. Toda essa crença ruiu quando eu passei mal na academia, tive uma queda de pressão que me fez ver só luz branca e ficar verde. Não fosse o personal trainer, talvez o pior tivesse acontecido.

Sou contra o ego exacerbado, o auto intitulamento e, apesar de estudá-lo, não sou adepto do ocultismo. Sai do budismo simplesmente pois tive que transcender alguns dos valores, especialmente a falta de ambição. Já fiz alguns negócios, e deixei de criar outros, incluindo entre eles, o “The Book Club”. Era para ser um clube do livro, iniciado no Brasil e com ambições internacionais… Já havia o Good Reads, e eu sequer consegui o domínio, e acabei largando. Não sou também o maior dos leitores.

Mas, talvez por tédio, esteja lendo mais. Iniciei a leitura de “The Painted Word”, de Tom Wolfe, o mesmo escritor de “Fogueira das Vaidades” com um post no blog em mente. Dessa forma, iria notando as observações relevantes…

Voltando ao fascinante “The Painted Word”, o livro inicia com uma tirada genial, que é a necessidade do texto sobre a arte, para justificar a arte. A arte moderna, segundo Wolfe, não existe sem um texto a explicando. O texto deixa de existir em função da arte, para a arte existir em função dele. O livro é uma sátira aos círculos de arte no século 20 em Nova York. “A arte moderna se tornou completamente literária: as pinturas e outros trabalhos existem apenas para ilustrar o texto”, profetiza.

Tom satiriza tanto o Downtown, ou Soho e regiões adjuntas de Nova York, como o Upside, e caracteriza a “dança Apache”. Os artistas, do Downtown, vivem para frequentar e fazer um verdadeiro jogo de sedução com o Upside, das galerias e elite financeira. Nesse jogo os artistas desprezam a balbúrdia e opulência das elites, do alto de suas vidas boêmias, e aguardam o avanço do culturati, elegendo-os os artistas da vez. Como Wolfe tende muito mais a crítica as elites, o movimento de Boho Dance (1) e Consummation (2) é marcado pela seguinte frase de Andy Warhol:

“Nothing is more bourgeois than to be afraid to look bourgeois”

O livro ainda narra epopéias incríveis como o apadrinhamento de Jackson Pollock por Peggy Guggenheim, e o dia em que Pollock foi a uma de suas festas, completamente bêbado, entrou em um quarto da residência e saiu pelado, para urinar na fogueira na frente de todos. Pollock é um dos destaques do livro, pois cumpriu as 2 etapas da Apache Dance mas inicialmente não obtinha sucesso financeiro. Pessoalmente achei super interessante que ele vendia gravatas pintadas por ele mesmo em 1943, coisa que meu avô, Manabu Mabe fazia e que o levou a ser atacado por uma personagem da novela “Cobras e Lagartos”…Ela fala das gravatas e rasga sua tela. Mas, se o Pollock faz, em Nova York, ao invés de no Centro de São Paulo, é louvável, até mesmo para Tom Wolfe.

Durante a série cubista e posteriormente abstrata do livro, outro ponto alto é Picasso. Ele completou as 2 fases da dança Apache e deixou 2 de seus semelhantes para trás, André Derain e Georges Braque. Fica evidente que na opinião de Wolfe, Picasso não era artisticamente superior aos 2, mas sim, mais competente em cumprir a verdadeira dança do acasalamento que ele propôe existir no mundo das artes, em seu livro.

A partir de Picasso, Wolfe fala dos críticos e como a teoria da Arte se tornou importante depois. Steinberg viria a propor a teoria do flatness ou planicidade. Nela, as pinturas devem se incorporar a mídia, a tela, não restando um centímetro de tinta acima delas. Vigorou por muito tempo e John Jasper e Jackson Pollock foram seus expoentes. Achei muito interessante pois se assemelha a Lygia Clark, e um dos primeiros temas principais de Jasper eram as bandeiras. E olha o que eu fiz há alguns meses atrás, para a capa do meu Facebook pessoal, não é uma bandeira:

Joh Mabe – Sem Título
Jasper Johns’s ‘Flag’, Encaustic, oil and collage on fabric mounted on plywood,1954-55

Só estou ultrapassado uns 50 anos. Após o flatness, surgiu o Pop Art. Pois as pessoas não gostavam verdadeiramente da arte moderna ou abstrata, nem compravam, ou se compravam, não necessariamente gostavam. E assim que tiveram a oportunidade, foram convertidas a esse movimento, que teve como expoente, Warhol e Roy Lichtenstein. Não se enquadravam como realistas pois os quadrinhos de amor e guerra de Roy e as latas de sopa de Warhol eram símbolos lugar comum da cultura americana. A referência simbológica drenava o realismo das obras. A pop-art, alega Tom, tinha inúmeras referências literárias e, secretamente, o culturati voltava a apreciar o realismo.

Tom termina o livro com a ascensão da arte minimalista, que surgia repleta de teorização e era baseada em efeitos e ilusões de ótica.

Bridget Riley. Current (1964) smallcurio from Austin, TX / CC BY (https://creativecommons.org/licenses/by/2.0)

Cubistas, realistas e impressionistas representavam em suas telas as impressões das ilusões que enxergavam; abstracionistas modernos faziam de suas pinturas verdadeiros objetos autônomos; os minimalistas completaram o ciclo fazendo de suas obras uma peça de pura percepção.

A conclusão ao final é que o texto e a teorização passou a prevalecer na arte, daí o título do livro, A Palavra Pintada.

Uma interpretação mais moderna do que Tom Wolfe profetizou e vivenciou é representada em “The Square – A arte da discórdia”, filme de Rubem Ostlund, comédia que faz uma crítica à dicotomia entre as obras do museu de arte moderna sueco e a realidade fora dele. A arte no filme é diversas vezes retratada atrapalhando a comunicação entre os personagens. Também traz várias idéias sobre os limites que a arte e os artistas e participantes devem ter.

Por hoje é só, vale muito a pena ler os livros de Tom Wolfe, novamente, ele é mais famoso por Fogueira das Vaidades, os livros são muito bem escritos mas para quem não tem muita paciência para ler, tem o filme.

Referências culturais a pandemias

A peste bubônica, que aconteceu principalmente na Europa na Idade Média, e perdurou até o século XIX influenciou muito a sociedade. Precedeu o Renascentismo e tem referências tanto na Divina Comédia, de Dante, como Decameron, de Giovanni Bocaccio. Mas, talvez o maior impacto tenha sido na religião, que sofreu um acentuado declínio, pois as pessoas não podiam ser salvas pela Igreja e interpretavam a praga como punição divina.

Atualmente, com o Covid-19, da forma amena como está atingindo o Brasil, por enquanto, 11 mil casos até hoje, muitos interpretam como uma dádiva, no sentido que Deus estaria nos guiando a valorizar mais a vida em família, a natureza, ou talvez nos punindo pelos rumos materialistas, egoístas e insensíveis que a sociedade tomou. Ou mesmo pela libidinosidade que predomina em nossa sociedade, a total banalização das relações interpessoais.

Mas desde que o vírus surgiu, eu acompanhava e tentava me lembrar de algumas referências cinematográficas. Alguma coisa já havia mostrado o quão catastrófico seria um vírus, e não era uma dádiva…

Em 12 Macacos, Bruce Willis é enviado do futuro para buscar informações sobre a cura de um vírus que extinguiu a população humana em 1996. Contágio, de Steven Soderbergh é um filmes mais assistidos após o Covid-19, mas foi inspirado pela SARS.

Ainda não era o que eu procurava, havia mais alguma referência que eu estaria esquecendo… Tom Hanks e sua esposa pegaram o vírus na Austrália e eu lembrei que um dos filmes do Dr. Robert Langdon possivelmente tratasse de uma praga biológica. Sim, em Inferno, do livro de Dan Brown, um excêntrico bilionário implica com controle populacional e resolve criar um vírus em um laboratório. Cabe a Langdon impedir que arma biológica seja solta no mundo. O filme começa em Florença, na Itália, um dos locais mais atingidos pela epidemia atual.

As referências ao Inferno de Dante são muito presentes no filme e a diferença é que na realidade, o vírus parece não ter sido obra dos humanos, mas sim um acidente em um mercado da China.

O objetivo principal desse texto é indicar algumas opções culturais para quem está em casa na quarentena, e trazer essa indicação do filme Inferno, e do livro, é claro. Li bastante sobre o Covid-19 e não vi ninguém falar sobre esse filme.

Também, com essas indicações, abrir a hipótese a todos de questionar sim a origem do vírus. Pois, no filme, é falado que governos sempre teriam interesse em armas biológicas. E por que não, um bilionário excêntrico? Lembrando que “Um homem sábio condiciona suas crenças às evidências”, como disse David Hume

Bom, espero que aproveitem, e se cuidem, o vírus é perigoso para todos nós e precisamos seguir as recomendações de cuidados e higiene que estão sendo nos repassadas.

I Mostra Brincadeira de Criança fase 2 em parceria com a Academia de Letras e Artes Ribeirão Preto

A I Mostra de Arte  Brincadeira de criança & ALARP ( Academia de Letras e Artes Ribeirão Preto) tem como objetivo conscientizar a sociedade sobre a importância das antigas brincadeiras infantis (ex. “pega–pega”, pic-esconde, amarelinha, cobra cega, escravo de Jó, brincar de roda, pular corda, etc.) para o desenvolvimento biopsicossocial das crianças. E alertar que o uso precoce de celulares e o abuso dos jogos digitais e das redes sociais estão mudando a forma das relações interpessoais. A comunicação e a afetividade nos lares estão diminuindo, pois, atualmente, as pessoas (crianças, adolescentes ou adultos) ficam horas de olhos fixos nos seus “brinquedos digitais”, interagindo com o mundo a sua volta de forma monossilábica.Existe unanimidade entre médicos, educadores e psicólogos que as brincadeiras antigas desenvolvem adultos mais criativos e saudáveis, do ponto de vista social e emocional. E que elas promovem a socialização, estimulam os sentidos, a imaginação, o espírito de equipe, a competição saudável e aprendem a lidar com regras.

Sou da geração que ter pais presentes, um bichinho de estimação e amigos e amigas para brincar ao ar livre era tudo que precisava para ser feliz. Não tive uma vida de luxo, pelo contrário, mas digo, com toda certeza do meu coração, que a fase dos meus sete aos 12 anos foi a mais feliz da minha vida. Vivi momentos inesquecíveis e tenho muitas histórias para contar.

Maria José Gonçalves Oliveira

Esta Mostra está em realização no período de 28/11 a 20/12/19 no Centro Cultural Palace – Ribeirão Preto . A Curadoria é de Luciane Lima ( Ateliê L.Lima ) e Miguel Angelo. 

Click no link abaixo para assistir o vídeo q mostra os artistas  e algumas das obras que estão participando  . Inscrevam-se , tb , no canal https://youtu.be/zVwTve940cg PRESTIGIEM , pois brincadeira de criança é coisa séria ! 

https://www.instagram.com/tv/B4U8Q39Ay2c/?igshid=40601uqeizss

PARIS Salon International D’Art Contemporain Carrousel du Louvre realizado de 18 a 20/10/19

Paris, cidade tão especial para a Arte, o sonho de todo artista. A exposição chamada Salon International D’Art Contemporain Carrousel du Louvre é realizada em uma luxuosa galeria comercial  localizada no conhecido Museu du Louvre . Neste espaço acontecem mostras com trabalhos de pintura, fotografia e outras formas de expressão artística contemporânea , possibilitando a  troca de experiências entre artistas expositores de diversas partes do mundo. Para esta Mostra internacional pintei o quadro “ Praia das Moças em Buzios “ – AST – dimensões : 50 x 70 cm , sendo a mesma premiada na modalidade Criatividade. 

 

Joker (ou Coringa), é arte

É esperado que eu dê aqui minha visão política. Por vários motivos… Uma plataforma de arte, que promove, além de suas obras, conteúdo escrito sobre arte. Tenho tudo preparado, mas não publiquei.

No meio tempo, fiquei fascinado pelo filme novo do Coringa. A ponto de ir assistí-lo, sozinho, na sexta-feira. E, por que não falar sobre um filme novo, se esta é uma plataforma de arte? Todos querem falar sobre o Coringa. No agregador de críticas que eu acompanho,  a nota média entre os críticos profissionais é de 56 no momento, e entre os espectadores, é de 92.

Não tenho assistido muitos filmes. Na sequência do Coringa embalei Mistério no Mediterrâneo e percebi porque não tenho visto muitos nos últimos anos. Mas voltemos ao Coringa.

Se o sr. ou sra. não assistiu ao filme, é melhor parar a leitura por aqui. Me reservarei o direito de revelar “spoilers”, ou partes dos filmes só para aqueles que o assistiram.

Coringa, em minha opinião, é um filme muito bom. Em vários aspectos. Eu, sozinho no cinema, fiquei grudado e emocionado desde o começo. Raras foram as vezes que qualquer tipo de arte me despertou tanta emoção. Talvez pelo histórico do personagem, que conta inclusive com o Heath Ledger, que se suicidou. Talvez pela brilhância do filme, agora podada pelos veículos de mídia e críticos profissionais.

Pesquisei muito todo o material antes de ir assistir. Sabia, inclusive, que podia haver um atentado enquanto assistia. E foi um pouco tenso sim… Mas não, a humanidade é mais inteligente do que isso. É, inclusive, o mote do filme. Não obedecerei mais as elites, mídia, ou agenda da classe dominante. Um atentado em uma estréia do Coringa, quiçá, seja o que aqueles no poder esperam de nós, formigas, ou meros mortais.

Além da emoção, o que há de tão grandioso no filme? Bom, a cena do metrô é algo que nos faz pensar sobre fotografia no cinema. Aqui, digo, antes de assistir aos outros candidatos ao Oscar, que se Coringa não ganhar o Oscar de fotografia, há algo errado em Hollywood.

O cinema é feito de clichês, para nos fazer nos identificar com os personagens. Coringa faz tal tarefa tão magistralmente que a maioria de nós só nos lembra disso dias depois de assistir.

Fotografia de Splash News

Bom, mas o filme não é perfeito. O que tem de ruim? As referências… O filme é pesadamente influenciado por O Rei da Comédia, estrelado por Robert De Niro. E Taxi Driver, ambos de Martin Scorcese. Ok amigo, foi influenciado, tudo bem, mas não precisava copiar as cenas nem fazer referências tão óbvias, como o ensaio do “standup act” de Arthur Fleck, ou Coringa.

English: Poster for Taxi Driver, an American film starring Robert De Niro.

Além disso, a crítica mais veemente de minha parte é que sim, o filme glorifica o crime. O personagem atinge a aceitação do povo através de seus crimes. Como uma feminista, se empodera conforme escala suas infrações no Código Penal. E, o filme mostra e nos acostuma com a naturalidade de um homicídio. O Coringa simplesmente mata algumas pessoas, e fica por isso mesmo. Nada que não tenha acontecido antes em Hollywood, “Assassinos por Natureza” vem a mente. Mas em Coringa, nos sentimos no papel do assassino. E não é legal, não é normal. Saí do cinema com os sons dos tiros reverberando em minha cabeça.

Novamente, é um filme muito bom. Do bobo do começo, pouco resta, e no final realmente gostaríamos que o Coringa não existisse. A transição entre o bom moço injustiçado e o vilão não é sutil, mas é emocionante. Lamentável a banalização da violência. Todd Philips foi tão criativo ao fazer um filme do anti-herói com tão pouco, mas podia ter sido ainda mais inovador tivesse deixado o viilão um pouco mais inocente até o final.

RESUMO DA CRONOLOGIA DA VIDA DE VAN GOGH E OS EVENTOS QUE ACONTECERAM APÓS SUA TRÁGICA MORTE EM JULHO DE 1890

  RESUMO DA CRONOLOGIA DA VIDA DE VAN GOGH

Por:   Maria José G. Oliveira

Agosto/2019

·       ·1853 Nasce Vincent Van Gogh em 30 de março;

·         1857 Nasce em 1º de maio Théo Van Gogh;

·         1862 Primeiros desenhos que se conhece de Van Gogh;

      1865 Van Gogh entra na instituição de M. Provily em Zaven- bergen;

·         1869 Van Gogh entra como empregado na filial da Casa Goupil em Haia;

·         1872 Outono.

1873 Théo em 19 de janeiro entra como empregado na filial de Bruxelas da Casa Goupil;

Van Gogh recebe uma antecipação em maio e vai para Londres;

Em setembro muda de pensão e vai viver na casa de Loyer;

·         1874 Van Gogh é recusado por Úrsula Loyer em julho;

Volta desesperado para a Holanda;

Em meados de julho volta a Londres com sua irmã Ana;

Por intermédio de seu tio Cent é enviado a Paris em outubro para que se distraia;

Volta repentinamente a Londres onde, em vão, tenta ver Úrsula;

·         1875 Van Gogh é um péssimo empregado em Londres;

Em maio é transferido para Paris. Vive em Montmartre e se entrega ao misticismo. Seu trabalho o deixa cada dia mais angustiado;

Seus patrões se queixam dele;

Em dezembro, sem avisar ninguém, vai para a Holanda;

·         1876 Van Gogh retorna a Paris e seus patrões o despedem;

Em abril abandona Paris e vai para Etten. Emprega-se como professor na escola Anglicana do senhor Stokes em Ramsgate, onde chega no dia 16;

O senhor Stokes, em junho, instala sua escola em Isleworth, nos arredores de Londres;

Van Gogh percorre o East End, cuja miséria o comove. Consola os pobres;

É despedido em julho e vai trabalhar para o senhor Jones como ajudante do pregador;

Van Gogh volta para Holanda no Natal;

·         1877 Em janeiro Van Gogh entra como empregado numa livraria de Dordrecht. Logo deixa esse emprego e em 9 de maio chega a Amsterdam para estudar para pastor;

·         1878 Em julho, Van Gogh abandona os seus estudos e sai de Amsterdam;

Após uma rápida estadia em Etten, no outono entra numa escola Evangelista de Bruxelas. Mas após 3 meses não é nomeado;

Parte voluntariamente para Borinage e se estabelece em Paturages;

No fim do ano o Comitê de Evangelização, surpreendido por seu ânimo e sacrifício, retrata-se de sua decisão e lhe dá um cargo por 6 meses em Wasmes;

·         1879 Van Gogh consome-se sem cuidar de sua saúde. Sua dedicação chama a atenção do Comitê de Evangelização, mas não renovam sua missão;

Van Gogh chega a Bruxelas;

Volta a Borinage;

Durante o terrível inverno de 1879/1880 leva uma vida de miserável e repete-se a mesma pergunta: “Há algo fora de minha existência? Então o que é?”. Perde a fé. Desenha.

·         1880 – Van Gogh volta à Courrières, onde Jules Breton, um pintor medíocre tem um ateliê. Completa a mudança. Após uma viagem decepcionante para Holanda, na casa de seus familiares, recebe 50 francos de Théo. Volta a Borinage, a Cuesmes, e se reconcilia com Théo, a quem não escrevia há 9 meses. Põe-se a desenhar com grande intensidade. Em outubro, vai de Cuesmes para Bruxelas, onde faz amizade com Van Rappard e trabalha metodicamente;

·         1881 – Van Gogh permanece em Bruxelas até princípios de abril. Chega a Etten no dia 12 deste mês. Trabalha. Durante o verão recebe visita de Theo e Van Rappard e vai para a casa de seu primo, o pintor Anton Mauve, que lhe dá conselhos;

Volta a se enamorar e corteja apaixonadamente uma de suas primas, Kee, durante as férias em Etten e ela o desencoraja;

Van Gogh insiste e ela se vê obrigada a voltar para Amsterdam. Van Gogh a aflige com cartas e finalmente vai a Amsterdam. Mas Kee se nega a vê-lo;

Desesperado, Van Gogh volta a Etten. Discute constantemente com seu pai e deixa a casa de Mauve em Haia;

·         1882 As relações com Mauve logo se tornam tensas. Van Gogh precipita o rompimento ao acolher uma mulher pobre, prostituta, doente e grávida, Sien; Graças a essa mulher, Van Gogh recupera seu equilíbrio e, após uma visita à Théo, põe-se a pintar;

Trabalha intensamente até o fim do ano, mas a degradação de Sien é irremediável. Van Gogh priva- se de tudo. O desenho “Tristeza” é dessa época, de que faz uma litografia em novembro;

Sua recusa do mundo dos conformistas – de todos os conformismos – é completa;

·         1883 Doente e esgotado Van Gogh chega a tal extremo de debilitamento que chama seu irmão, que desta vez consegue afastar Sien de seu lado;

Van Gogh dilacerado, mas aliviado, volta a pintar. Pinta Árvore açoitada pelo vento;

Deixa Haia em setembro e chega em Drenthe. As paisagens desta região selvagem o acalmam a princípio, mas os dias atormentados voltam. Mil terrores assaltam Van Gogh que foge para Nuenen, onde seus pais estavam morando;

·         1884 Janeiro. Quando sua mãe fratura uma perna, Van Gogh retorna por um tempo a seu lar. Mas seu desacordo com o mundo de sua família não tem solução. Van Gogh converte-se em um estranho para a sua família. Aluga dois quartos com o sacristão da Igreja católica e ali instala seu estúdio;

Uma última, e como as anteriores, desafortunada aventura sentimental o faz perder totalmente a esperança de levar uma vida normal (outono);

A pintura será a única finalidade de sua existência, “a maneira de viver sem pensar no passado”;

Acumula um quadro atrás do outro e no outono decide pintar nos dias de mau tempo 50 cabeças de camponeses;

Não para de se preocupar com as leis da cor, cuja importância descobriu;

·         1885 26 de março. O pastor Van Gogh morre de repente. Sela-se a ruptura de Van Gogh com sua família;

Van Gogh agora trabalha em seu grande quadro do período holandês , Comedores de batatas;

Termina-o em maio, o que desencadeia uma discussão epistolar com Van Rappard, que finalmente provoca a separação dos 2 amigos;

Van Gogh a cada dia mais toma consciência dos recursos da cor;

A Holanda, cujo clima estético e moral é de agora em diante um obstáculo a seu florescimento, já não tem mais nada a lhe ensinar . Além disso, como o cura de Nuenen proibira a seus fiéis que pousassem para Van Gogh, este decide abandonar seu estúdio;

Em 23 de novembro vai para Antuérpia. “Desejo violentamente ver Rubens “disse;

Começa sua grande viagem para o sul;

“Há”, escreve para Théo, “uma coisa extraordinária na sensação de que é necessário entrar no fogo”. Para Van Gogh Antuérpia representa uma liberação;

Ali descobre Rubens, a cor, os tecidos japoneses, a luz e o movimento;

Suas cores se definem;

·         1886 18 de janeiro. Van Gogh se inscreve na Academia de belas artes de Antuérpia, onde sua curta e tormentosa estadia pelo menos lhe permite comprovar que está no caminho certo no que se refere ao desenho e pintura. No princípio de março, de repente, chega a Paris. Volta para a escola. Segue o curso do estúdio de Cormon, mas logo deixa de assisti-lo;

Descobre a   pintura “luminosa “dos impressionistas;

Estuda a obra de Delacroix, de Monticelli, os artistas japoneses;

Conhece Toulouse- Lautrec, Émile Bernard, Gauguim, Seurat, Signat,  Guillaumin, Pissarro, Cézanne, Tanguy,  etc;

Sua palheta torna-se mais luminosa;

Liberta se de todas as experiências pictóricas;

A cor começa a dominar em sua obra;

Planeja expor durante o inverno;

·         1887 Van Gogh continua febrilmente suas experiências, com todos os procedimentos e técnicas que os pintores de Paris lhe sugerem;

Pinta nas margens do Sena frequentadas pelos impressionistas;

Apesar das numerosas e variadas influências, continua sendo ele mesmo, e assimila as lições à sua própria personalidade;

Já se cansa de Paris;

Uma aventura que termina de maneira lamentável, a decepção que lhe causam as rivalidades entre os pintores, a indiferença com que é recebido, a agitação da grande cidade e, também, naturalmente, seu trabalho intenso minam sua resistência;

Está mais ou menos doente, mas sobretudo compreende que Paris não é sua meta;

Seu cansaço e nervosismo aumentam ainda mais durante o inverno; Medita sobre lugares onde o sol é mais luminoso e a cor se reveste de todo o seu esplendor;

Sobre ir ao Japão quer dizer, ao Sul;

·         1888 Van Gogh chega a Arles em fevereiro

Fica encantado com a cidade. Acredita realmente estar no Japão;

Os jardins florescidos o embriagavam de felicidade;

Pinta sem parar;

Sua exaltação cresce à medida que o sol nasce ao qual rende um verdadeiro culto com a sua pintura;

Mas o espantoso desgaste nervoso com que Van Gogh paga por essa energia criadora coloca em perigo sua saúde; Além do fato de que não podia alimentar-se pior. Escreve a Théo “Não se pode evitar que qualquer dia sobrevenha uma crise”;

Van Gogh quer que seu amigo Gauguin se instale perto dele e que se fundem os estúdios do sul com que sonhava desde que saiu de Paris; Gauguin decide, em outubro, voltar para Arles e os primeiros dias são um descanso para Van Gogh;

Desgraçadamente, os 2 artistas não eram feitos para se entenderem. Tudo os separa:  seus temperamentos e tendências estéticas;

Logo se torna evidente que a vida em comum entre eles é impossível. Isto representa um novo e grave golpe para Van Gogh;

Em 25 de dezembro o drama inesperadamente explode. Van Gogh se lança sobre Gauguin com uma navalha e sai correndo quando Gauguin se volta contra ele;

Ao voltar para casa corta um pedaço da sua orelha;

Van Gogh é internado;

Neste mesmo ano, Théo expõe no salão dos Independentes 3 quadros e alguns desenhos de Van Gogh;

·         1889 As crises continuam. Van Gogh procura lutar;

Logo compreende que o melhor para ele é permanecer internado;

Em maio abandona Arles para ir à Saint-Paul-de-Mausole, clínica particular perto de Saint- Rémy dirigida pelo Dr Peyron;

A princípio se acostuma nesta nova vida, mas contrariamente às suas esperanças, a loucura não o abandona. Uma nova crise o invade;

Apesar da enfermidade, não deixa de trabalhar;

Sua arte cada vez mais se torna expressionista;

No Natal, tem dois ataques;

Dois quadros de Van Gogh são expostos no salão dos Independentes por Théo.

·         1890 Boas notícias:

– o nascimento do filho de Théo;

– a publicação de um importante estudo consagrado à sua pintura no Mercure de France;

– a venda de um quadro (A Videira vermelha) – o único que Van Gogh vendeu em vida;

·         Nada disso pode fazer com que Van Gogh esqueça seu drama;

Uma longa crise o lança no atroz desespero;

Tenta matar-se;

Não podendo suportar a vida em Saint-Paul-de-Mausole, implora a seu irmão que o leve para o norte;

·         Chega a Paris em 17 de maio, mas segue para Auvers-sur-Oise em 21 de maio;

·         Em Auvers o doutor Gachet o atende;

Começa bem sua permanência nesta cidade;

Pinta todos os dias;

Mas depois de visitar seu irmão e a cunhada, retorna desesperado para Auvers;

“A vida”, como ele diz, “lhe escapa”;

Não pode mais;

·         Em 27 de julho Van Gogh dá um tiro no peito e morre no dia 29 a uma e meia da manhã;

·         Dez quadros de Van Gogh são expostos neste ano no Salão dos Independentes; _________________

·         Depois da morte de seu irmão, Théo tenta fazer uma grande exposição de suas obras. E em 18 de setembro escreve a Émily Bernard: “A quantidade de quadros é imponente. Não consigo organizar um conjunto que possa dar uma ideia de sua obra”;

·         Em 21 de janeiro, Theo Van Gogh morre na Holanda;

·         Em seu testamento a obra de Van Gogh é avaliada modestamente em 2000 florins;

Muitas pessoas aconselham a viúva de Theo a destruí-la;

·         1892 sob os cuidados da senhora J. Van Gogh-Bonger, viúva de Théo, organiza- se uma exposição de 100 quadros de desenhos de Van Gogh no Panorama de Amsterdam;

·         1893 começam a aparecer no Mercure de France cartas de Van Gogh a Émile Bernard e a seu irmão Théo;

Émile Bernard organiza uma exposição de 16 quadros de Van Gogh em  “ Le Marc de Boutteville; em Paris;

·         1896 Augusto Vermeylen   dá uma conferência apaixonada para os estudantes de Groningue ( Holanda) sobre Van Gogh e sua obra;

“Os quadros de Van Gogh vendem bem mais quanto mais baratos”. Gauguin escreve em novembro para Daniel de Monfreid;

·         1900 o Dr Rey, em acordo com Ambroise Vollard, retira de seu galinheiro, onde há 11 anos servia para tapar um buraco, o retrato que Van Gogh fez no hospital de Arles;

Vollard compra a tela por 50 francos;

·         1901 Março. Na galeria Bernheim-Jeune, na rua Latiffe retrospectiva de Van Gogh (71) quadros;

 Vlaminck, ao sair da exposição disse a Matisse:

“Gosto de Van Gogh mais que meu meu pai”;

 Hugo Von Hofmannsthal anota em uma carta a prodigiosa emoção que lhe causaram as obras deste pintor que ele desconhecia.

”Me   senti como se assaltado pelo milagre incrível de sua forte e violenta existência, cada árvore, cada pedaço de terra amarela ou verdejante,  cada sebe viva, cada caminho escavado na colina pedregosa, a jarra de estanho, a tigela na terra, a mesa, a cadeira rústica, era um ser recém-nascido que se ergue diante de mim, saindo do espantoso caos da não vida, do abismo do não ser e eu sentia – não, eu sabia que cada uma destas criaturas nascera de uma dúvida horrível que desesperava o mundo inteiro, que sua existência era testemunho eterno do odioso abismo do nada …Eu sentia em tudo a alma daquele que havia feito tudo isso, que com esta visão dava uma resposta para se libertar do espasmo mortal de uma dúvida espantosa”– Carta de 26 de maio de 1901,em “Escritos em prosa”. E O ouro de seus corpos, de Gauguin;

·         1905  julho- agosto. Sob os cuidados da senhora J. Van Gogh-Bonger, abre-se uma exposição de 473 obras de Van Gogh (234 são quadros) no Museu Stedelijk, de Amsterdan

 Exposição de Van Gogh na Galeria Arnold, em Dresde;

·         1906 Morre, aos 80 anos, a mãe de Van Gogh;

·         1908 Janeiro. Segunda Exposição de Van Gogh na galeria Bernheim-Jeune, em Paris (cem quadros);

No mesmo mês, Druet expõe em sua galeria Faubourg Saint Honoré 35 quadros de Van Gogh;

·         1909 Segunda Exposição de Van Gogh na galeria Druet na rua Royale 20  (50 quadros);

Exposição de Van Gogh na galeria Brack,de Munique;

O Dr Gachet morre aos 81 anos em Auvers-sur-Oise;

·         1910Van Gogh na exposição “Manet e os pós-impressionistas” Crafton de Londres;

 Ambroise Vollard publica as cartas de Van Gogh a Emile Bernard;

·         1912 Van Gogh é representado por 108 quadros na exposição de pintores modernos organizada pela sociedade de artistas da Alemanha Ocidental em Colônia;

·         1914 A senhora Van Gogh-Bonger publica em Amsterdam as cartas de Van Gogh a Théo;

As cinzas de Théo são levadas por ela da Holanda a Auvers-sur-Oise;

Exposição Van Gogh na galeria Cassirer, em Berlim;

Obedecendo aos desejos de Verhaeren, a Sociedade de arte contemporânea expõe na Antuérpia obras de Van Gogh;

·         1921 Oito quadros de Van Gogh na exposição dos museus de Holanda de obras de Rembrandt a Jean Steen, ocorrida em Paris;

·         1924 Exposição de Van Gogh na galeria Kunsthalle, de Basiléia e na Galeria kunsthaus, de Zurique;

Segunda edição das cartas de Van Gogh a Theo;

·         1925 Morre Joana Van Gogh-Bonger, viúva de Theo, em 2 de setembro;

·         1928 J.B. de Faille publica um monumental catálogo da obra de Van Gogh, depois de uma discussão dos experts sobre a autenticidade ou falsidade de algumas obras;

Exposição de Van Gogh na Galeria Nacional de Berlim;

Exposição de desenhos de Van Gogh na galeria Dru de Paris;

·         1932 Morre Dr. Rey em 15 de setembro;

·         1935 Uma exposição de Van Gogh em turnê pelos Estados Unidos.

·         1936  1ª edição em Nova York nas cartas de Van Gogh a Van Rappard (traduzidas para o inglês);

·         1937 Uma seleção de cartas de Van Gogh a Théo aparece em Paris; As cartas de Van Gogh a Van Rappard aparece em Amsterdam;

Os nazistas denunciam como decadentes as obras de Van Gogh, que são excluídas da Neue Pinakotheke de Munique;

·         1950 A tradução francesa das cartas de Van Gogh a Van Rappard aparece em Paris;

·         1953 O centenário do nascimento de Van Gogh é celebrado com grande regozijo;

 A biblioteca Wereld, de Amsterdam, começa a publicar a correspondência geral de Van Gogh (edição do centenário).

O 1º volume aparece em 1952 e o quarto em 1954;

·         1958 em outubro, em Londres, Jardim público de Arles, de Van Gogh é vendido na galeria Goldschmidt por 132.000 libras esterlinas;

1990 em 15 de maio é feita a maior transação da história do mercado de arte até então : um dos Retrato do Dr Gachet de Van Gogh é vendido a um milionário japonês por 82,5 milhões de dó

Egas Francisco

Visitamos o ateliê do Egas Francisco e fomos muito bem recebidos. Segue a entrevista:

Fizemos também um tour 3D em seu ateliê:

E um guia para o tour:

Se estiver interessado em alguma das obras, nos contate. Caso queira contratar o Tour 3D, nos envie uma mensagem.

Novidades na SmartGallery

Este mês de Agosto teve a incrível exposição de Doris Homann na Ligia Testa Espaço De Arte. Algumas obras estão aqui na SmartGallery e eu pessoalmente gostei muito da DH 19 e DH 9. São telas muito fortes, tendo em vista o background e a vida de Doris:

Outubro haverá uma exposição do Egas Francisco na Joh Mabe Espaço Arte e Cultura, organizada por Ligia Testa. O Egas visitou o escritório semana passada e ele é uma pessoa fascinante, mais para frente faremos uma entrevista com ele. Sua exposição é fruto de sessões de terapia com o Dr. Isac Karniol. Egas busca tornar com sua arte, absolutamente espontânea, o invisível em visível. Recebi um exemplar assinado do livro Palimpsesto Mágico, e recomendo, além das pinturas de Egas o texto é muito bom.

Outros destaques são as telas de Francisco Gonzales e Décio Soncini, que fizeram exposição recentemente na Joh Mabe Espaço e Cultura e agora têm suas obras aqui no site. Há telas de medidas reduzidas com excelente valor, vale conferir.

Também 3 novos artistas ingressaram na SmartGallery e recomendo que confira suas obras, Carlos Lorenzo, Cristiano Chaussard e Landrou Sá

Esse é o update de Agosto, até a próxima.

Bienal, museus e galerias

A Bienal em São Paulo, nos tempos áureos, era o objetivo máximo dos artistas, na maioria, pintores e escultores. Ser premiado em uma Bienal internacional era o sonho. Aqueles eram os tempos da arte, a partir do patronato dos Matarazzo até o começo dos anos 80. Ciccillo Matarazzo literalmente criou a Bienal em São Paulo, e também literalmente, a ditadura militar levou-a a um declínio de 1965 a 1973, com alguns artistas assinando o Manifesto “Não a Bienal’ no Museu de arte Moderna de Paris, em 1969.

Sérgio Valle Duarte Wikidata has entry Q16269994 with data related to this item. [CC BY 3.0 (https://creativecommons.org/licenses/by/3.0)]

Esse era o sonho antigamente, e qual o sonho hoje? Lógico que participar de uma Bienal ainda dá muito prestígio, mas podemos definir como meta final para uma obra de arte, estar em um museu, ou ser museum quality, jargão do meio acadêmico de arte. O museu é o destino máximo de obras de artistas validados. É uma instituição pública, mantida por verba governamental ou doadores e mantenedores privados, e, assim como a Petrobrás “é nossa” para os brasileiros, o museu se tornou um lugar amigável, como demonstrou a recente exposição da Tarsila do Amaral, no Masp.

Uma distinção fundamental entre os museus e as galerias é que as últimas têm objetivo de dar lucro ao seu dono ou marchand, ao passo que os museus não têm fins lucrativos, apesar de serem até mais comerciais, ou comerciáveis; vide a loja do MOMA. Mas os museus, a maioria, cobram entrada enquanto as galerias são de livre visitação. A Art Dealers Association of Americas cita que em Nova York as galerias oferecem a melhor educação gratuita em apreciação de arte. As exposições nas antiguíssimas galerias Colnaghi e Agnews, em Londres rivalizam com a de museus.

Jan Steen [Public domain] Uma das obras que passou pela galeria Colnaghi em Londres e agora está em um museu

Certo que algumas galerias operam como private dealers, e são fechadas a visitação ou só com hora marcada, e, apesar do imenso progresso, ainda não rivalizam com museus no Brasil. Mas o ponto desse artigo é valorizar o trabalho delas. Voltando ao sonho, para um artista iniciante, um curso superior em artes ou um Master in Fine Arts (MFA) é um bom caminho para conseguir algo nas galerias, primeiro com coletivas e depois com exposições individuais, sendo a aceitação comercial do trabalho fundamental para avançar.

Mas, um MFA é uma fortuna hoje em dia, fora o custo de viver no exterior. E, as vezes, o artista terá sorte se conseguir com seu MFA ser um dos ajudantes do Jeff Koons. Há vários caminhos para um artista, hoje em dia, a venda direta pelo Instagram é comum, inclusive por artistas estabelecidos. Complicado também ter que fazer um curso de artes, sendo que muitos dos maiores mestres são autodidatas, e, muitas vezes o artista já desenvolve um trabalho e está satisfeito com sua arte.

Finalizando, as pessoas costumam achar que o museu é o único lugar para artes, e, realmente, é o apogeu para a maioria dos artistas. Mas, eles são tocados por seres humanos como nós, talvez concursados, talvez indicados, ou talvez só bem conectados. No competitivo mundo da arte hoje, em que os meios de produção e divulgação são democratizados, há também muito valor em ter seu trabalho em uma galeria. Assim como, visitar e conhecer as galerias que trabalham de portas abertas.

Os trouxas da SmartGallery, a hora de comprar arte

Corria no parque… De fone e música trance no ouvido, e escutei um grupo de meninas falando sobre os trouxas da SmartGallery. Delírio? Não sei, achei bom… Falem mal, mas falem de mim? Mas meu guru de marketing logo fez questão de baixar um vídeo sobre como as marcas que mais vendem são queridas e bem faladas pelo público, e de repente, não era mais bom. Mas, sério? Trouxas da SmartGallery? Sou eu aqui escrevendo, meus sócios, espero eu, endossam… Meu desejo era voltar lá e perguntar se ouvi aquilo mesmo.

Paralelamente, planejávamos comprar algumas artes… Para compor acervo, etc. E o Trump lá, descendo a lenha, causando. E eu, e se acontecer algo?? Não vai fazer falta esse dinheiro? Para um quadro, que vai ficar na parede?  E meu avô, sempre dizia, que as pessoas viam quadros, e  não davam valor, mas se fosse uma mala de dólares, ou um carro, a atitude era diferente. E eu não quero ser o cara que não aprecia arte, mas para quem sempre, em teoria, teve arte, é difícil avaliar.

Lógico que a história não fica sem fim aqui. Se comprar arte hoje soa como uma idéia absurda, nefasta, abominável, inominável, talvez esta seja a hora de comprar arte. Pois, pela minha experiência, qualquer ativo não está em seu ponto de compra na hora que todos querem comprar. Se, mesmo para mim, que me benefício dos movimentos do mercado de arte, comprar arte hoje é algo ameaçador, talvez seja essa a hora de comprar arte.

Qual arte? Aí eu não me atrevo a julgar… Mas pense em algo… Que o mercado brasileiro não é lá essas coisas, e talvez você, de fato fique com a arte X por vários anos. Esquece a grana… Pensa no mérito, na apreciação, esquece o que você poderia ganhar com ações ou dólares em um dia. Se vai comprar arte, assume que o dinheiro vai ficar pendurado lá por alguns anos, e assim como é quase impossível descobrir qual ativo ou ação vai subir mais, sua arte provavelmente não é a vencedora. O importante é que você ache que ela é.

Esse é o ponto mais importante, gostar da arte, ter uma empatia com a obra…Pois vai ser um quadro pendurado, como uma empresa subavaliada, na maioria dos casos. Mas, endossada, talvez, pelos trouxas da SmartGallery. E, quem sabe, ter algum futuro, além de adornar sua parede.

Freud e a Arte

Freud revolucionou o pensamento vigente desde meados do século XIX, por todo o início do século XX e até sua morte. A partir dele houve psicanalistas dissidentes, que optaram por novos caminhos, e outros, colaboradores, que avançaram em suas teorias. A Psicanálise, como um todo, criou vida própria e se tornou uma das ciências mais emblemáticas do século XX.

As ideias de Freud ganham o pensador comum

A maioria das ciências, conforme vão se tornando mais complexas e se sofisticando, tendem a se afastar do público leigo, tornam-se domínio de especialistas que acabam por inevitavelmente segregar o conhecimento entre seus pares. Todavia, os conceitos de Freud acerca dos Sonhos, do Inconsciente, da Sexualidade e dos Atos-falhos tornaram-se conhecidos e atingiram um enorme número de pessoas, aproximando-se muito do público leigo ao redor de todo o globo terrestre. Podendo, de alguma maneira, maior ou menor, segundo o nível de informação, ser apreciado, comentado, refletido, ou pelo menos citado, por todo tipo de pessoa.

Em dois anos, dois livros irão mudar o mundo para sempre

Com os livros de Freud, A Interpretação dos Sonhos (1900) e Psicopatologia da Vida Cotidiana (1901), todas as pessoas, não somente as que apresentam sintomas psicossomáticos, passaram a poder usufruir de suas teorias e nelas se encaixar e inserir de alguma maneira. A curiosidade por assuntos tão intrigantes e instigantes como os sonhos ou a sexualidade, rapidamente gerou a vontade por entender ou pelo menos se aproximar de suas teorias.

Freud e a Arte

Na Arte, a influência de Freud foi absoluta para pintores como Salvador Dali, Magritte e tantos outros que se valeram dos sonhos para edificar um dos movimentos mais conhecidos da História da Arte, o Surrealismo. Mas as ideias de Freud não tiveram apenas um efeito contemporâneo e que se prolonga até hoje, todo seu pensamento teve também um efeito retroativo. Tudo o que foi feito em termos de Arte passou a poder ser analisado sob seus pontos de vista. Dessa maneira, Freud também promoveu uma nova leitura sobre o Homem, sobre tudo o que o Homem fizera até então. Temos assim, todo um velho novo mundo por redescobrir, por analisar, por desvendar e fazê-lo parte do que somos hoje, nos tornarmos parte dele. Neste pequeno artigo citarei algumas obras de arte facilmente encontradas em livros ou na Internet.

Esquecido e resgatado para sempre

Hoje temos a história de todas as áreas do conhecimento extremamente difundida e compartimentada em períodos, etapas de desenvolvimento e os autores e personalidades que a fizeram. Hoje a Internet globaliza o conhecimento e estamos praticamente sem fronteiras quando se trata de ter acesso à informação. Mas não foi sempre assim. Na História da Arte muitos pintores foram completamente esquecidos após o seu falecimento ou então foram relegados a um plano secundário ou mesmo inexistente. Isso aconteceu com uma das figuras que hoje consideramos de uma extrema riqueza. Estou falando de Hieronymus Bosch, pintor holandês que nasceu em Hertogenbosch em 1450 e faleceu em 1516. Considera-se, pela falta de registros, que nunca tenha saído de sua cidade natal, todavia, em sua obra, realizou uma das maiores viagens que o ser humano pode fazer, uma viagem ao mundo do imaginário, do fantástico e dos sonhos. Suas obras contém uma complexa rede de símbolos, cenas de pecado e tentação, alusões à alquimia e todo um arsenal de possibilidades de experimentações em termos de sexualidade. Dentro deste panorama, qualquer psicanalista precisará de toda a sua vida para discernir a enorme gama de representações desse pintor, tamanha é a sua originalidade, profundidade e quantidade de detalhes em suas obras a se considerar. Em termos de ausência de julgamento e sentir-se livre para pintar e expressar o que lhe vier à mente, essência do método de Associação Livre de Freud, Bosch parece ser exemplar pois em seus quadros ele parece expor absolutamente todas as imagens que lhe veem à mente e que são produzidas diretamente pelo seu inconsciente, sem censura, repressão ou julgamento. Para citar apenas um exemplo recorrerei ao tríptico chamado Jardim das Delícias. Neste quadro pode-se ver uma vasta quantia de possibilidades sexuais envolvendo pessoas, animais, demônios, santos e até elementos botânicos. Também pode-se apreciar na terceira parte, a que se refere ao Inferno, todo tipo de tortura, depravação, masoquismo e sadismo. Muitas possibilidades de satisfação do desejo podem ali ter um paralelo ou encontrar um eco, por menor que seja. Bosch torna-se então um dos mais perfeitos exemplos de sublimação de desejos em forma de arte. Um pintor que estará para sempre testando a capacidade de análise de qualquer psicanalista sem jamais se esgotarem as possibilidades.

Chiaroscuro – Consciente e Inconsciente

Um outro pintor, também holandês, é Rembrandt (1606-1669). Ele se caracterizou principalmente por estabelecer suas figuras em pontos de luminosidade em contraposição à grandes partes da obra em plena escuridão, como se a cena ou pessoas envolvidas no quadro estivessem emergindo do escuro, aquilo que, em termos de expressões italianas utilizadas por historiadores e críticos de arte chama-se de chiaroscuro (claro-escuro). A analogia com a obra de Freud estabelece-se quando pensamos no Inconsciente, todo ele está mergulhado numa grande escuridão, nos impedindo de discernir exatamente aquilo que está do lado obscuro da obra. Um exemplo é o quadro O Filósofo pensando. Trata-se de uma obra belíssima produzida apenas em ricos tons de terra que vão do amarelo ao marrom mais escuro. Retrata do lado esquerdo uma pessoa idosa sentada na sala de sua casa e parece estar refletindo; do lado direito alguém parece atiçar o fogo da lareira e, no centro do quadro, uma grande escada em espiral eleva-se para o andar de cima, mas os últimos degraus dessa escada terminam em completa escuridão. Dessa maneira, é como se a parte do Consciente estivesse ali representada pelo homem refletindo iluminado pela luz que vem da janela, o Pré-consciente retratado nas ideias sendo atiçadas junto ao fogo da lareira envolta em penumbra, e, ao centro, uma escada conduzindo misteriosamente à enorme escuridão do Inconsciente. Todo o quadro produz no espectador um desejo praticamente impossível de se conter, de subir os degraus dessa escada, um desejo de buscar, descobrir os sentimentos mais ocultos na escuridão do Inconsciente.

Tormentas e delírios

O terceiro pintor que citarei, também holandês, dispensa introdução, trata-se de VanGogh. Sofria de episódios psicóticos e alucinações, sua pintura é caracterizada por pinceladas que trazem uma enorme expressividade ao serem onduladas e pontuais, gerando um grande efeito de mobilidade em suas obras. Através da pintura buscava refúgio para sua mente conturbada onde loucura e arte andavam lado a lado. Caso Freud tivesse a possibilidade de tratá-lo, com certeza obteria resultados favoráveis, no entanto, Van Gogh se mata com um revólver no meio de um campo de trigo em 1890, quando Freud iniciava seus estudos e empreendia sua jornada rumo à criação da Psicanálise. Particularmente fortes são seus autorretratos, mostram suas emoções mais profundas em diferentes épocas, sujeito às mais diferentes privações.

Um velho novo mundo por se redescobrir

Citei três pintores, muitos outros podem ser citados, toda a História da Humanidade por ser vista e revista sob o olhar da Psicanálise.

As bottegas, Jeff Koons e o art studio

Nasci no meio da arte. Desde pequeno via os quadros do meu avô, Manabu Mabe, ficava o dia inteiro em seu ateliê, e, mais para a frente, não desgrudava do meu tio, que também pinta. Meu pai desde sempre tem galeria, e eu não só frequentava muitas exposições, como também ia a Bienal, que era um super evento, e fazia aulas de pintura, com minha avó, minha irmã e meus primos. Meu avô tinha muitos pintores amigos e até mesmo alguns aprendizes. Essa era minha visão sobre arte, e tudo era muito grandioso.

Com o tempo, fui aprendendo que essa é a visão mais tradicional e romântica de arte. A que nós vemos em filmes e na televisão, do artista pintando sozinho em seu ateliê e muitas vezes se esforçando para viver de sua arte. Mas não é a única. É com muito desdém que ouço falar de artistas que não produzem suas obras eles mesmos, que têm equipes e pessoas contratadas para fazer seus projetos. Tanto que resolvi aprender sobre o assunto.

Viggo Mortensen em ‘Um Crime Perfeito’ (1998) – Warner Bros.

Não me surpreendendo tanto, descobri que a origem dos art studios ocorreu na Renascença. Os pintores mais famosos tinham bottegas, que eram ateliês que eles tocavam e tinham uma equipe de aprendizes para auxiliá-los com as obras, muitas vezes encomendadas por patronos, ou mecenas. As bottegas (não confundir com as bodegas, palavra do espanhol para mercearias ou lojas de conveniência) tinham no máximo 16 pintores, que iam subindo conforme demonstravam seu talento ao mestre.

O grau de envolvimento do pintor chefe variava de acordo com a quantia que recebia do mecenas para a obra, e, como as pinturas eram, na maioria dos casos, à óleo, trabalhavam paralelamente em várias obras enquanto as telas secavam. Encomendar uma tela de um pintor famoso, na Renascença, não significava que o pintor pintaria a tela inteira sozinha, mas sim que a obra seria proveniente de seu ateliê, ou bottega.

Mais para frente, no século XIX, surgiu a École nationale supérieure des beuax-arts em 1816, na França, que desafiou o modelo renascentista ao promover as próprias exposições, chamadas de salons, que se tornaram os maiores eventos de arte do século ao apoiar, promover e criticar os desenvolvimentos artísticos.

Nos anos 60, Andy Warhol despontou, com a The Factory, que era seu art studio e salão de festas. Ficou conhecido pela produção em série de obras de arte, através do silk screen, e das festas que promovia, frequentadas por celebridades.

James Kavallines, New York World-Telegram and the Sun staff photographer [Public domain]

Hoje o mais conhecido talvez seja Jeff Koons, que literalmente conta com 100 funcionários que recebem um salário bem baixo, e produzem as obras que idealiza. O seu papel se assimila mais ao de um arquiteto, que projeta a obra. Curioso sobre Koons, encontrei uma descrição sobre seu processo. Ele faz colagens no Photoshop e sua equipe reproduz a colagem, minuciosamente, através de pincéis de ponta pequena em telas em escala maior. Com certeza vocês já viram colagens de outros artistas no Instagram, e o precursor sem dúvida é Koons.

Koons tem o trabalho de idealizar a obra, fazer a composição, com equilibro e balanço de cores e arranjar as imagens. Com sua equipe, os resultados são impressionantes, algumas telas na verdade parecem fotos. Que atire a primeira pedra quem nunca se impressionou com uma colagem, agora imagine que as colagens de Koons não são simples colagens, são telas pintadas a óleo.

“” by Annie Guilloret is licensed under CC BY-NC-ND 2.0 

Mas, não são pintadas, nem esculpidas por ele. Na Renascença, os pintores, além de fazerem o acabamento das obras, eram responsáveis pelas partes mais difíceis, as faces e as mãos. E é este, exatamente, o questionamento desse texto. Se a arte caminha para os rumos da publicidade; antigamente as agências contavam com alguns gênios, que criavam as frases de efeito, slogans e idealizavam as campanhas, ao passo que hoje são megacorporações que trabalham em sintonia, mas não mais apoiadas em um publicitário.

Para a maioria, é como se um jogador de futebol não jogasse ele mesmo, ou colocasse outro para jogar, ou montasse um time. Ou a nossa reação ao descobrir que James Bond, Os Três Mosqueteiros e o Conde de Monte Cristo, foram escritos por ghost writers. No caso desses, o autor do livro tem a idéia e o ghost writer traduz essa idéia para um trabalho completo, normalmente, com uma cláusula de confidencialidade. Na música também é comum o ghost writing.

A ideia de arte e artista que prevaleceu, originou-se do livro ‘A Vida dos Artistas’, de Giorgio Vasari, escrito em 1550, que propôs que a obra de arte é a expressão completa de uma única mente e mão. Apesar de não tirar os méritos e reconhecer que os trabalhos finalizados de artistas como Jeff Koons são impressionantes, eu, que pinto nas horas vagas, chain smoking e tudo o mais, sou adepto da visão romântica de arte. Pois, a tendência das coisas tomarem dimensões grandes demais, e se desvirtuarem, é muito alta. Mantenhamos os artistas, artistas, e os publicitários, publicitários…

A Arte Existe sem Contemplador?

A pergunta vem-me passeando por entre as sinapses e os escassos momentos de fazer nada. O que é um museu com paredes plenas de obras de arte e mergulhado no mais absoluto vazio? Não há passos vagarosos, cochichos sobre a impressão causada por aquela imagem, desejos de se ter aquela obra em casa ou de ser a última que se escolheria no mundo, a correria das crianças. O que são as obras instaladas na mais perfeita expografia, milimetricamente colocadas para satisfazer o desejo que nosso cérebro sente pela simetria?

Um dia, entrelaça-se, a essa, uma outra pergunta que me instigava quando criança: se uma árvore cair e não houver ninguém por perto, haverá barulho?

Em tempos de Google, impossível não encontrar os esconderijos das perguntas impossíveis de outros tempos. A resposta é não! O som não existe pois ele é apenas uma sensação, uma percepção das vibrações sonoras. Assim, ‘quando uma árvore cai, ela não produz barulho, mas sim, vibrações sonoras no ar atmosférico’ que se tornam som ao atingir nossos ouvidos. Também os cheiros ‘são apenas moléculas odorantes no ar capazes de ativar os receptores olfatórios decodificados no córtex’.

E a arte é emoção. Sem o contemplador dela, a emoção se perde, a arte não existe.

O ar está impregnado por tudo aquilo que a arte pode produzir, como alegria, indignação, raiva, força, enfim, ela é uma energia transcendental que viaja com destreza até nosso inconsciente mais profundo. Sem o contemplador dela, porém, tudo isso se perde, a arte não existe.

E a arte envolve um processo que esbanjou energia do criador e que estabelece uma troca entre ele e quem a contempla. A arte é um alívio neste mundo de atrocidades e consumos exacerbados, ela transforma e expande a consciência. Sem o contemplador dela, porém, tudo isso se perde, a arte não existe.

E a arte contemplada é uma forma de oração, um prazer elevado, uma conexão com o universo. Se as pessoas – cada vez mais afastadas e mais envolvidas consigo mesmas – passam a contemplar a arte, forma-se uma espécie de elo entre elas, aproximando-as com uma espécie de comunicação mais fácil. Sem o contemplador dela, porém, tudo isso se perde, a arte não existe.

Ernest Fischer disse que a função da arte não é a de passar por portas abertas, mas a de abrir portas fechadas. Sem o contemplador dela, porém, ela abre as portas e encontra a casa vazia.

Subjetividade na arte e como auferir objetividade em sua valoração.

Pensava sobre o que escrever neste artigo inaugural do blog da SmartGallery e vieram algumas ideias. Desde como começar uma coleção de arte até como analisar os fatores que influenciam a precificação dela. Pesquisando, devaneei para a distinção entre preço e valor, velho chavão prescrito por Oscar Wilde. E terminei escolhendo o tema da subjetividade na arte e como auferir objetividade em sua valoração.

Arte é uma ciência humana, no geral, mas não necessariamente, por essa razão, subjetiva. Em  pesquisa, coletei várias interpretações. De um galerista especializado em hiper-realismo, que argumenta que as pessoas não compram Basquiat porque gostam do que veem, e que é tudo uma grande distorção, até o crítico Jerry Saltz, que defende a reinvenção da habilidade e não atenta para a perfeição da técnica. Saltz defende que os maiores artistas contemporâneos da atualidade são autodidatas e que a boa arte se relaciona com o contexto do artista e condições atemporais. Outra de suas interessantes observações é que vivemos no mundo da Wikipedia e que seria um mundo de arte aberto. Observação que se contrapõe ao estereótipo de mundo da arte fechado e exclusivo, na verdade, uma interpretação mais realista. A arte e suas ferramentas, bem como sua propagação, estão mais acessíveis a seus produtores, mas o próprio Waltz argumenta que 75 artistas dominam os grandes leilões internacionais e as galerias líderes.

A subjetividade da arte conecta-se à valoração e precificação das obras pelo princípio da precificação hedonística da arte: aqui, discorre-se sobre o prazer ou a satisfação que a pessoa sente por conta da obra, bem como seus atributos estéticos, fator importante no preço pago.  Contrapondo-se às séries históricas que são a forma óbvia e habitual de precificar as obras dos grandes mestres.

Fatores econômicos tradicionais também influenciam os preços, mas existe uma ciência chamada Economia da Arte, que poucos conhecem e que tem alguns conceitos interessantes. Por exemplo, é notório que a maioria dos artistas estabelecidos tem valorização de 5% ao ano conforme envelhecem. Outra, obras revendidas que aparecem em leilão com frequência tem tendência à desvalorização a cada venda. Aqui a questão da oferta e demanda, se está sempre à venda, os colecionadores não se apressam em adquirir. Outra curiosidade é que o antigo dono da obra influencia muito em seu preço, e obras dadas como presentes pelos artistas são consideradas de menor valor pelo mercado. Mercado esse definido como esperto ou ‘smart’ por Saltz.

Continuando na Economia da Arte, os movimentos de arte são aceitos por nós mas nunca questionamos como funciona sua hierarquia. E, segundo os acadêmicos, funciona da seguinte forma: há os fundadores do movimento, que inventaram o estilo, e os seguidores, que são artistas menos conhecidos mas que aderiram ao movimento. Em relação aos movimentos e mesmo aos grandes mestres, todos são mais conhecidos por alguns objetos em comum nas suas principais obras, Dali com os relógios e sua esposa, Klimt por mulheres erotizadas e essa seria a segunda variável, sendo a primeira seus estilos principais. Obviamente, as obras mais valiosas desses artistas são as de seus estilos e objetos mais conhecidos.

Focando agora nos mercados locais, definidos pelos acadêmicos como competitivos e com oferta ilimitada, mas de maior interesse a nós que aspiramos iniciar uma coleção de arte, existem alguns fatores objetivos importantes na mensuração do potencial de valorização da arte, independentemente da valoração hedonística. Primeiramente, artistas que moram fora e/ou tem experiência internacional, tem maiores chances de se valorizarem. Voltando à Wikipedia de Saltz, o número de resultados de buscas no Google pelo nome do artista é um quesito objetivo na mensuração da propagação e notoriedade de seu trabalho, também se relacionando com o potencial de valorização. Por fim, remetendo a um interessante artigo do New York Times, que discorre sobre a profissão do artista e seus estereótipos, o artista dedica tempo e vida a seu trabalho, em boa parte dos casos, e precisa ser remunerado. Por qual valor? Aí fica a critério de nós, o inteligente mercado.

Wang Long Sheng(王龙生 Chinese, b.1944)

iamjapanese:

Wang Long Sheng(王龙生 Chinese, b.1944)

风疏雨骤   2014  160x130cm   oil on canvas    via   more

Petworth, the Drawing room, 1828, William Turner

artist-turner:

Petworth, the Drawing room, Bodycolor on blue paper, 1828, William Turner

Medium: watercolor,paper

oldpaintings:

Feu d’artifice à Venise, 1917 by Lucien Lévy-Dhurmer (French, 1865–1953)

 

vangoghld:

Metropolitan Museum of Art, New York

August 2018